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Ecstasy
Informativo 68 - Revisto Janeiro 2004
Tradução Wilson Lobo
No Reino Unido, o ecstasy está classificado como droga ilegal do grupo ‘A’ [sistema usado na Grã Bretanha para a classificação de drogas]. A penalidade máxima para o traficante é de prisão perpétua e multa com valor ilimitado, enquanto que a possessão da droga é penalizada com até sete anos de prisão e multa de cinco mil libras esterlinas.
O ecstasy possui propriedades estimulantes e alucinógenas e seu ingrediente ativo é uma droga sintética chamada ‘MDMA’. Originalmente utilizado na psicoterapia, no fim dos anos setenta tornou-se popular entre as pessoas que freqüentam boates, atraídas pela sua capacidade de reduzir inibições, aumentar a energia, induzir ao relaxamento e gerar uma sensação intensa de prazer através da liberação de seratonina, um transmissor neurológico.
A droga é vendida em forma de pílulas e, menos freqüentemente, como pó. Após aproximadamente 30 a 40 minutos a droga deixa o usuário altamente excitado, o que poderá durar várias horas. Por causa da tolerância que o organismo adquire pela droga, os usuários do ecstasy tendem aumentar suas doses para ter as mesmas sensações de euforia.
Ecstasy e HIV
Por causa de sua ilegalidade, estudos clínicos sobre os riscos para as pessoas HIV - positivas usuárias desta droga não foram realizados. Portanto, os efeitos do ecstasy no sistema imunológico e na progressão do HIV continuam desconhecidos.
Ecstasy e medicamentos anti-HIV
Em 1996 um homem morreu após tomar dois comprimidos e meio de ecstasy, ele havia apenas iniciado tratamento com uma combinação de medicamentos anti-HIV, a qual incluía o inibidor de protease Ritonavir. Na autópsia foi encontrada uma quantidade extraordinária de ecstasy no seu sangue, que pode ser, em parte, explicada como uma interação entre a droga e o Ritonavir. O Ritonavir aumenta de 200% a 300% a quantidade do ecstasy na corrente sanguínea, isto porque o organismo absorve ambas as substâncias do mesmo modo.
O risco de que o ecstasy pode reagir perigosamente com alguns medicamentos baseia-se no fato de que os inibidores de protease e os ‘NNRTs’ [inibidores de transcriptase reversa não nucleosídeos], bem como muitos outros medicamentos são absorvidos pelo organismo de forma semelhante. Já ocorreram casos de hospitalização de pessoas que tomam inibidores de protease, por causa das reações adversas ao ecstasy.
Se você estiver iniciando um tratamento com combinação de medicamentos, o risco de interação será maior nas primeiras quatro semanas. Alguns médicos sugerem que após esse período, caso você decida tomar ecstasy, será mais seguro começar com um quarto ou a metade de uma pílula. Essa informação é dada com o objetivo de auxiliar os leitores na redução de riscos e ainda não foi cientificamente estudada.
Outras questões de saúde
Assim como ocorre com todas as drogas, é difícil saber o que uma pílula de ecstasy realmente contém. As dosagens encontradas em drogas não são controladas e a pílula de ecstasy que você adquirir na rua poderá conter enormes quantidades da droga. O ecstasy é, muitas vezes, misturado com outras substâncias que podem ser venenosas, ou com outras drogas, geralmente com anfetaminas e LSD, mas, ocasionalmente, com heroína.
Em curto prazo o ecstasy pode causar desidratação, dor de cabeça, calafrios, movimentos involuntários dos olhos, trava das mandíbulas, visão turva, náusea e vômito. Como muitas drogas usadas para ‘ligar’ é normalmente acompanhado por um período de profunda depressão.
As pessoas podem ter reações alérgicas e até fatais com a droga. Contudo, apesar da grande quantidade consumida os casos de morte provocada por ecstasy são raríssimos. A droga também tem sido associada com problemas pulmonares, e com aumentos dramáticos na temperatura corpórea, insuficiência renal e danos ao fígado. A enorme capacidade que o ecstasy e outras drogas possuem para intoxicar o fígado é uma preocupação, especialmente para as pessoas HIV - positivas, nestas os danos causados ao fígado podem representar uma enfermidade grave e impedir o organismo de absorver adequadamente os medicamentos anti-HIV.
O consumo prolongado do ecstasy tem sido relacionado com deficiência mental, depressão, distúrbios psicóticos e problemas de memória.
Questões práticas
Se você for usuário do ecstasy ou pretende ser, então considere consultar o seu médico ou agentes de saúde em clínica de tratamento. A maioria delas estará acessível para discutir sobre o consumo de drogas e poderá fornecer informações preciosas sobre como minimizar os riscos.
Como acontece com todas as drogas, é fundamental levar em consideração qual o impacto que seu uso causará em seu tratamento anti-HIV ou em outras áreas de sua saúde ou vida.
A ‘NAM’ adverte aos leitores que o ecstasy é uma droga ilegal no Reino Unido e em muitos outros países. Este Informativo foi produzido de acordo com a legislação britânica, os leitores de outros países devem estar conscientes de que a legislação sobre o ecstasy poderá ser diferente da descrita neste Informativo.
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