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O tratamento do VIH simultaneamente com o tratamento da tuberculose reduz para metade a taxa de mortalidade segundo um estudo Sul-Africano
Keith Alcorn, Wednesday, October 01, 2008
Um grande estudo Sul-Africano demonstrou que a medicação anti-retroviral em simultâneo com o tratamento da tuberculose reduziu para metade a taxa de mortalidade quando comparada com adiar o início tratamento para o VIH para apenas quando o tratamento para a tuberculose fosse concluído.

Os investigadores do ensaio clínico anunciaram a 17 de Setembro que tinham encerrado um braço do estudo no qual os doentes esperavam que o tratamento para a tuberculose estivesse completo antes de iniciarem a terapêutica anti-retroviral, porque os doentes nesse braço registavam um risco de morte significantemente mais elevado.

Os investigadores dizem que a descoberta pode ter implicações importantes no modo como o VIH é tratado nos doentes com tuberculose.

Até agora, muitos clínicos têm preferido esperar até que o tratamento da tuberculose seja completado antes de iniciarem a terapêutica para o VIH no caso de co-infecção com tuberculose, referindo preocupações sobre a reconstituição imunitária, interacções medicamentosas e toxicidade dos medicamentos.

O estudo SAPIT (Starting Antiretroviral therapy at three Points In Tuberculosis therapy – Início da terapêutica anti-retroviral em três momentos da terapêutica da Tuberculose) é um ensaio randomizado e aberto que recrutou 645 adultos na África do Sul, com resultados positivos de tuberculose numa baciloscopia. O ensaio é desenhado para identificar o melhor momento para se iniciar o tratamento do VIH em doentes com tuberculose.

Os participantes foram randomizados para receberem uma vez por dia a combinação de ddI/3TC e efavirenze num de três momentos temporais durante o curso da terapêutica para a tuberculose:

  • Tratamento precocemente integrado: tratamento anti-retroviral iniciado assim que possível após o tratamento da tuberculose (no prazo de dois meses)

  • Tratamento integrado tardiamente: tratamento anti-retroviral iniciado após ser completada a fase intensiva de 2 meses do tratamento da tuberculose, geralmente no terceiro ou quarto mês de tratamento para a tuberculose.

  • Tratamento sequencial: tratamento anti-retroviral iniciado após o tratamento da tuberculose estar completo, geralmente seis ou oito meses após o tratamento da tuberculose.


O Comité de Controlo da Segurança do ensaio decidiu encerrar o braço de tratamento sequencial após uma análise de segurança interina ter demonstrado que os doentes nos dois braços de tratamento integrado tinham uma taxa de mortes 55% mais baixa do que o braço de tratamento sequencial (p = 0,49). Não se verificaram diferenças significativas nas características dos participantes nos dois grupos.

Esta análise cobre cerca de 60% do tempo de follow-up previsto no início do ensaio clínico. Vinte e seis doentes morreram no braço do tratamento sequencial (taxa de mortalidade de 11,6 por 100 pessoas/ano) comparado com 24 doentes nos braços integrados combinados (taxa de mortalidade de 5,1 por 100 pessoas/ano). Esta redução na mortalidade no braço de tratamento integrado foi estatisticamente significativa, tanto nos doentes com contagens de CD4 inferior a 200 como em doentes com contagens de CD4 entre 200 e 500.

O Comité de Controlo da Segurança recomendou que todos os doentes no braço do tratamento sequencial devem ser aconselhados a começar uma terapêutica anti-retroviral assim que possível.

Os dois braços de tratamento integrado irão continuar até 2010 para determinar se existe uma diferença entre as duas estratégias de “tratamento integrado”.

Num comunicado da imprensa desta semana, o organizador do ensaio, o CAPRISA (o Centro para pesquisa do programa SIDA da África do Sul) disse: “As descobertas do ensaio SAPIT fornecem fortes evidências a favor da integração do tratamento e cuidados para a Tuberculose e para o VIH/SIDA. Para tal ser alcançado, todos os doentes diagnosticados recentemente com tuberculose na África do Sul necessitam que lhes seja proposto um teste para o VIH; os que são positivos para o VIH devem fazer uma contagem de CD4 e os que apresentarem contagem inferior a 500 células/mm3, deverão receber tratamento anti-retroviral (ART) conjuntamente com o tratamento para a tuberculose. Esta abordagem conjunta de saúde pública e de cuidados clínicos das epidemias do VIH e da tuberculose tem o potencial de salvar vidas.”

“Uma estimativa aproximada calculou que a implementação do tratamento integrado do VIH e da tuberculose na África do Sul pode levar a que 100.000 a 150.000 doentes (com tuberculose e CD4<500) recebam tratamento anti-retroviral e assim se possa prevenir cerca de 10.000 mortes todos os anos iniciando precocemente o tratamento anti-retroviral.”

Traduzir estas descobertas na prática de saúde pública pode demorar tempo, e vai requerer que os financiadores, tais como o President’s Emergency Plan for AIDS Relief and the Global Fund to Fight AIDS, TB and Malária, comecem a verificar qual a proporção de doentes com tuberculose, e que foram também diagnosticados com VIH, começam a receber a terapêutica anti-retroviral enquanto se mantém no tratamento para a tuberculose. Também irá exigir maior debate sobre como integrar o tratamento do VIH nos serviços de tuberculose (ver o HIV & AIDS Treatment in Practice report de Julho de 2008 sobre este assunto).

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA