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O efavirenze não aumenta o risco de depressão nas pessoas a fazer tratamento para a hepatite C
De acordo com um estudo espanhol publicado na edição de 1 de Setembro de 2008 do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes, o tratamento com efavirenze (Sustiva®, Stocrin®) não parece o aumentar risco de depressão em doentes VIH-positivos co-infectados com o vírus da hepatite C a receber tratamento para esta última patologia.
Contudo, os investigadores descobriram que o tratamento com efavirenze aumenta, neste tipo de doentes, o risco de perturbações do humor.
Muitas pessoas infectadas com o VIH estão também infectadas com o VHC. O tratamento padrão actualmente preconizado para a hepatite C consiste na utilização de interferão peguilado e ribavirina. Este tratamento é eficaz em 66% dos casos de doentes co-infectados que recebem o tratamento pouco tempo depois de serem infectados pelo VHC e em cerca de um terço dos doentes co-infectados que apresentam hepatite C crónica.
O interferão peguilado pode ser responsável por efeitos adversos importantes, incluindo sintomatologia depressiva, dores de cabeça e insónias. Estes sintomas, bem como outro tipo de sintomatologia neuropsiquiátrica, também podem ser provocados pelo efavirenze, um fármaco utilizado como terapêutica anti-retroviral (ARV) de primeira linha.
A equipa de investigadores, de Madrid, quis determinar a segurança do interferão peguilado em doentes a tomar efavirenze. Com este objectivo, foi estudar os registos médicos de 266 doentes VIH-positivos co-infectados com hepatite C e que haviam feito tratamento para a hepatite C entre 1999 e 2006. Destes doentes, um total de 53 (20%) também havia feito tratamento com efavirenze.
Os investigadores foram depois comparar as taxas de incidência de efeitos adversos neuropsiquiátricos nos doentes tratados com efavirenze com as dos doentes que não haviam feito tratamento com esta substância.
Observou-se uma incidência elevada de efeitos adversos neuropsiquiátricos, tendo os investigadores notado uma tendência, praticamente com significado estatístico, para um maior risco deste tipo de efeitos adversos entre os doentes tratados com efavirenze (79% vs 65%, p = 0.051).
As alterações do humor, como a tristeza e apatia, eram significativamente mais comuns entre as pessoas tratadas com efavirenze (36% vs 23%, p = 0.046).
Contudo, embora os doentes tratados com efavirenze apresentassem uma probabilidade maior de terem feito tratamento com anti-depressivos (23% vs 16%), a diferença não foi estatisticamente significativa.
Os investigadores não descobriram diferenças estatisticamente significativas nas taxas de ansiedade, insónia, irritabilidade, dores de cabeça e uso de fármacos para ansiedade ou insónia entre os doentes tratados com efavirenze e os restantes (não tratados com esta substância).
Quando a equipa de investigação restringiu a sua análise a doentes com cirrose, descobriu que os doentes tratados com efavirenze apresentavam uma probabilidade ligeiramente menor de referir efeitos adversos neuropsiquiátricos (70% vs 85%, p = 0.2).
Além disso, os doentes a fazer efavirenze apresentavam uma menor probabilidade de referir insónia (15% vs 55%).
O número de doentes que interrompeu o tratamento devido aos efeitos adversos foi reduzido, e este risco não era aumentado pelo tratamento com efavirenze.
Os investigadores concluem: “embora a utilização concomitante de efavirenze possa favorecer os sintomas de alterações do humor, ela não se mostrou relacionada com um risco aumentado de depressão significativa requerendo tratamento.
Referência
Quereda C et al. Effect of treatment with efavirenz on neuropsychiatric adverse events of interferon in HIV/HCV-coinfected patients J Acquir Immune Defic Synr 49: 61 – 62, 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
Contudo, os investigadores descobriram que o tratamento com efavirenze aumenta, neste tipo de doentes, o risco de perturbações do humor.
Muitas pessoas infectadas com o VIH estão também infectadas com o VHC. O tratamento padrão actualmente preconizado para a hepatite C consiste na utilização de interferão peguilado e ribavirina. Este tratamento é eficaz em 66% dos casos de doentes co-infectados que recebem o tratamento pouco tempo depois de serem infectados pelo VHC e em cerca de um terço dos doentes co-infectados que apresentam hepatite C crónica.
O interferão peguilado pode ser responsável por efeitos adversos importantes, incluindo sintomatologia depressiva, dores de cabeça e insónias. Estes sintomas, bem como outro tipo de sintomatologia neuropsiquiátrica, também podem ser provocados pelo efavirenze, um fármaco utilizado como terapêutica anti-retroviral (ARV) de primeira linha.
A equipa de investigadores, de Madrid, quis determinar a segurança do interferão peguilado em doentes a tomar efavirenze. Com este objectivo, foi estudar os registos médicos de 266 doentes VIH-positivos co-infectados com hepatite C e que haviam feito tratamento para a hepatite C entre 1999 e 2006. Destes doentes, um total de 53 (20%) também havia feito tratamento com efavirenze.
Os investigadores foram depois comparar as taxas de incidência de efeitos adversos neuropsiquiátricos nos doentes tratados com efavirenze com as dos doentes que não haviam feito tratamento com esta substância.
Observou-se uma incidência elevada de efeitos adversos neuropsiquiátricos, tendo os investigadores notado uma tendência, praticamente com significado estatístico, para um maior risco deste tipo de efeitos adversos entre os doentes tratados com efavirenze (79% vs 65%, p = 0.051).
As alterações do humor, como a tristeza e apatia, eram significativamente mais comuns entre as pessoas tratadas com efavirenze (36% vs 23%, p = 0.046).
Contudo, embora os doentes tratados com efavirenze apresentassem uma probabilidade maior de terem feito tratamento com anti-depressivos (23% vs 16%), a diferença não foi estatisticamente significativa.
Os investigadores não descobriram diferenças estatisticamente significativas nas taxas de ansiedade, insónia, irritabilidade, dores de cabeça e uso de fármacos para ansiedade ou insónia entre os doentes tratados com efavirenze e os restantes (não tratados com esta substância).
Quando a equipa de investigação restringiu a sua análise a doentes com cirrose, descobriu que os doentes tratados com efavirenze apresentavam uma probabilidade ligeiramente menor de referir efeitos adversos neuropsiquiátricos (70% vs 85%, p = 0.2).
Além disso, os doentes a fazer efavirenze apresentavam uma menor probabilidade de referir insónia (15% vs 55%).
O número de doentes que interrompeu o tratamento devido aos efeitos adversos foi reduzido, e este risco não era aumentado pelo tratamento com efavirenze.
Os investigadores concluem: “embora a utilização concomitante de efavirenze possa favorecer os sintomas de alterações do humor, ela não se mostrou relacionada com um risco aumentado de depressão significativa requerendo tratamento.
Referência
Quereda C et al. Effect of treatment with efavirenz on neuropsychiatric adverse events of interferon in HIV/HCV-coinfected patients J Acquir Immune Defic Synr 49: 61 – 62, 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
